Saiba por que o empreendedorismo feminino mais que dobrou nas últimas duas décadas

Por Diana Ribeiro

O empreendedorismo feminino tem crescido no Brasil. Para se ter uma ideia, o número de empresas abertas por mulheres já é semelhante ao de homens. Mas os desafios ainda são muitos

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A participação das mulheres na economia brasileira tem crescido a cada ano. Quando o assunto é empreendedorismo, o público feminino não fica para trás. Nas últimas duas décadas, a quantidade de negócios abertos por mulheres mais que dobrou. De acordo com estudo do Global Entrepreneurship Monitor Brasil (GEM) de 2018, o número de mulheres que investem na abertura de novos empreendimentos é semelhante ao de homens: 48,7% das novas empresas foram abertas por elas.

Os dados confirmam o interesse feminino de abrir o próprio negócio. Muitas são motivadas pela necessidade de renda extra ou de adquirir independência financeira. Mas o que explica esse crescente número de mulheres empreendendo é que elas são quase metade dos chamados “chefes de domicílio”, segundo relatório do Sebrae do Espírito Santo. A proporção de mulheres responsáveis pelas despesas da casa passou de 38% para 45%, entre 2017 e 2019. 

Nem tudo são flores

Mesmo representando metade dos empreendedores brasileiros e tendo um nível de escolaridade 16% superior à dos homens, as mulheres continuam ganhando 22% menos do que os empresários. A situação tem se repetido desde 2015 de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de ser um dado alarmante para a desigualdade de gênero, não é um fator que desmotiva as mulheres a empreender. Elas seguem correndo atrás dos seus sonhos e buscando, sobretudo, mais flexibilidade e liberdade no trabalho.

Os desafios da mulher empreendedora

O número de empreendedoras vem crescendo ao longo dos anos, mas as mulheres ainda enfrentam desafios. Para que o sonho de ter o próprio negócio se concretize, o público feminino precisa quebrar barreiras sociais e econômicas.

Segundo levantamento feito pelo Sebrae existem alguns entraves que impedem as mulheres de crescerem nos negócios. O primeiro deles é a falta de investimentos externos, menos de 10% de empresas lideradas por mulheres no mundo receberam aporte de instituições financeiras.

Outros pontos que deixam as mulheres em desvantagem é a educação desigual (realidade de muitos países); o sexismo, discriminação baseada em estereótipos de gênero; e a falta de estímulo – 43% das mulheres veem o medo do fracasso o principal empecilho para não empreender.

Foi justamente esse último fator que a educadora física Andréia Steller enfrentou quando decidiu abrir um estúdio de pilates na capital paulista.

“Eu sempre quis ter o meu próprio negócio. Mas não tive o apoio do meu pai, ele falava que a maioria dos empreendedores iam a falência no primeiro ano e que eu tinha nascido para ser professora e não administradora”, diz Andréia. 

O pai de Andréia tinha razão. Segundo o estudo da GEM, cerca de 80% das micro e pequenas empresas desaparecem antes de completarem 1 ano de vida. Mas não foi o caso de sua filha, que tem equilibrado o negócio em cima de uma bola desde 2010.  

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