Cheque falsificado e cartão clonado: saiba como não cair nesses golpes

Por Redação Azulis

Em cada 10 micro e pequenos empreendedores do país, um foi vítima de golpes financeiros em 2018

Cheques falsificados e cartão de crédito clonado foram as principais fraudes, diz pesquisa da CNDL e do SPC Brasil. Especialistas dão dicas de como se prevenir

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As micro e pequenas empresas representam a maioria dos negócios do país, mas, exatamente por serem menores, acabam sendo mais vulneráveis a fraudes financeiras. Em 2018, os principais golpes aplicados a esses empreendedores foram pagamentos com cheque falsificado ou roubado (33%) e cartão de crédito clonado (25%), mostra uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O levantamento ouviu cerca de 800 micro e pequenos negócios de 27 cidades brasileiras. Um em cada dez empreendedores sofreu algum golpe financeiro em 2018.

Segundo o estudo, após cheques falsificados e cartão de crédito clonado, o ranking de principais fraudes é seguido por compras com utilização de RG, CPF ou CNH de terceiros (10%), uso de documentos falsificados (10%) e compras realizadas com cartão de débito clonado (8%).

Para Flávio Borges, superintendente de finanças do SPC Brasil, ao contrário das grandes empresas e redes varejistas, os pequenos empreendedores são mais vulneráveis a esse tipo de golpe. O motivo é a falta de recursos ou informações para adotar mecanismos de segurança, como sistemas antifraude e acesso a bancos de dados.

“O pequeno empresário muitas vezes aceita cheque como pagamento e, nas cidades pequenas, o tal do crediário também é comum. Muitos negócios são feitos à base da confiança e sem identificação do comprador”, explica Borges.

Os cheques são os meios de pagamentos mais expostos a golpes, pois não exigem qualquer tipo de senha ou identificação do consumidor. Os cheques falsificados ou roubados também costumam representar as maiores perdas financeiras, já que o empreendedor dificilmente receberá o dinheiro de outra forma.

Por outro lado, os pagamentos físicos feitos com cartões de crédito clonado geralmente não implicam perdas ao empresário, pois o responsável pelo repasse do dinheiro é o banco e não o consumidor, esclarece Borges. Ainda assim, pode ser que o pagamento demore para ser transferido e, caso o consumidor ache que houve negligência da loja, o empreendedor pode enfrentar um processo na Justiça. Como o volume de operações fraudulentas aumentou nos últimos anos, alguns bancos têm contestado os pedidos de ressarcimento feitos pelos empresários, ou até aberto disputas para transferir a responsabilidade pelas perdas.

Vendas na internet são ainda mais arriscadas

Lojas que vendem por e-commerce, ou seja, em lojas online, estão ainda mais vulneráveis a golpes, uma vez que a compra pode ser feita por qualquer pessoa e de qualquer lugar do país. Nesse caso, basta ter os dados do cartão e as informações pessoais do consumidor, sem necessidade de senha.

Flávio Borges explica que, quando o consumidor sofre esse tipo de golpe online, a loja é responsável pelo prejuízo. Em outras palavras, se seu cartão for roubado ou clonado e o golpista fizer compras online em seu nome, o responsável será a loja e não o banco.

Algumas medidas de segurança

Sempre que o pagamento do consumidor é feito com cheque, o empreendedor deve tomar algumas medidas para se precaver de golpes. No caso de compras com o cartão de crédito, ele deve ficar mais atento quando o valor for alto. Veja sugestões dos especialistas do SPC Brasil:

  • Peça um documento original com foto e confira se a assinatura, foto e data de nascimento batem com as informações repassadas;
  • Solicite dados cadastrais do cliente como endereço e telefone para contato, antes de fechar a venda;
  • Consulte o CPF do cliente em empresas de proteção ao crédito como SPC Brasil, Serasa ou Boa Vista. Nessa consulta, será possível descobrir se os documentos do consumidor foram perdidos ou roubados, se ele está inadimplente e confirmar alguns dados como endereço e telefone fornecidos;
  • Confira se há cheques sustados no nome do consumidor.

“Prestar atenção na consistência das informações fornecidas é fundamental, pois divergências muito grosseiras podem ser sinal de fraudes”, afirma Nival Martins, superintendente de produtos e operações do SPC Brasil.

No caso do e-commerce, o lojista pode buscar empresas especialistas em sistemas antifraude, como a ClearSale, que fazem uma checagem de todos os dados cadastrais do cliente e confere se há algum tipo de inconsistência.

“Essas empresas têm solução de e-commerce e base de dados para tentar garantir que a pessoa que está se identificando é ela mesma. O cruzamento de informações diminui a chance de o empresário ser vítima de fraude”, explica Flávio Borges, do SPC Brasil.

Proteja seus dados

É importante lembrar, por fim, que os empreendedores também são clientes dos bancos e precisam pagar uma série de boletos todos os meses. “Hoje sabemos que há dispositivos usados para invadir máquinas e enviar boletos fraudulentos. São hackers que roubam informações”, diz Borges, do SPC Brasil.

Para evitar cair nesse tipo de golpe, o especialista indica que o empresário mantenha os computadores sempre atualizados, com sistemas e antivírus originais. Também é aconselhável orientar os funcionários para que não abram arquivos suspeitos.

“Muitas vezes, o golpe acontece por desinformação. Depende muito mais da capacitação do funcionário do que de qualquer outro método de segurança”, afirma Borges.

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