Psiquiatra empreende ajudando as pessoas a viver melhor

Por Fernanda Santos

Quando terminou o curso de medicina, Caio Bonadio não imaginava que levava tanto jeito para empreender

Ele acabou caindo de vez na vida de dono quando as necessidades começaram a falar mais alto

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Com a crise econômica do País, aumento do desemprego e uso constante da tecnologia, os quadros de ansiedade, depressão e estresse aumentaram muito. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), de 2012 para 2017 o número de pacientes das clínicas psiquiátricas cresceu 54%, chegando a 4,5 milhões de pessoas. Já os distúrbios do sono, que incluem insônia, apneia, ronco e outros distúrbios atingem 73 milhões de brasileiros, de acordo com a Royal Philips. Os números são alarmantes e chamam a atenção para um mercado que também está em ascensão: o de consultórios e clínicas psiquiátricas.

Foi percebendo essa oportunidade crescente que o psiquiatra e médico do sono Caio Bonadio, de 30 anos, resolveu empreender. Quando se formou na Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), em 2012, ele já queria se especializar em psiquiatria, mas ainda não pensava em ter o próprio negócio, especialmente pela falta de conhecimento na área de gestão. “A gente não aprende nada sobre empreendedorismo na faculdade. Eu sabia tudo sobre curar uma pneumonia, mas não sabia abrir um CNPJ”, conta ele. A experiência e o conhecimento de que precisava chegaram com o tempo e com as necessidades.

Os perrengues da residência

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Empreendedor Caio Bonadio

Assim que terminou o curso de medicina, Caio Bonadio trabalhou por um ano na sede administrativa da Marinha, em São Paulo, e no Hospital do Exército. Quando, enfim, começou a se especializar na área escolhida percebeu que o salário não seria suficiente para se sustentar. Ele passava 80 horas por semana no hospital e ganhava cerca de R$ 3 mil.

“Você acaba tendo que trabalhar no final de semana para complementar renda e pegar aprendizado. A psiquiatria em termo de carga horária é uma das residências mais tranquilas, mas o cansaço físico e emocional é muito grande”, diz o empreendedor.

Como o próprio plano de residência já incluía plantões, Bonadio achou que a melhor forma de ganhar um dinheiro extra, e mais experiência, seria atendendo pacientes nas horas vagas, em vez de virar ainda mais noites no hospital. Sabendo dos planos do filho, a mãe de Caio Bonadio emprestou a ele um imóvel que tem em Moema, bairro nobre da capital paulista, para que montasse um consultório. O médico comprou alguns móveis, pediu a um professor que supervisionasse os atendimentos até o fim da residência e se preparou para atender.

Os desafios da vida de dono

Com a carreira apenas começando, conseguir pacientes não seria uma tarefa fácil. A saída encontrada foi contratar uma pessoa para criar um site da marca e anunciar seu nome no Google, por meio do Google Adwords. A plataforma de publicidade coloca os sites patrocinados no topo das páginas de busca, aumentando a visibilidade. A ideia deu certo. Dois meses depois, Bonadio já sabia fazer a divulgação sozinho e dispensou a ajuda.

“Se você ficar dependendo de indicação, demora muito mais para ficar conhecido. 90% dos pacientes que tenho vêm de anúncio. Uso essa estratégia até hoje para preencher horários livres na agenda”, diz ele.

No primeiro ano de consultório, o psiquiatra tinha apenas 5 pacientes, mas o número foi crescendo. Em 2017, Caio Bonadio ficou sócio de um colega de profissão. Eles não atendem no mesmo consultório, mas dividem as despesas burocráticas e com impostos, o que alivia um pouco os gastos fixos do médico.

A medicina do sono

O segundo grande passo na carreira foi dado após o fim da residência, quando Bonadio decidiu estudar Medicina do Sono nos Estados Unidos. Ao voltar ao País, em 2018, o espírito de empreendedor estava mais aflorado que nunca. Para conseguir expandir o consultório, agora com mais uma especialidade, o médico começou um MBA de Gestão de Saúde no Insper.

“Estou achando o máximo fazer esse MBA, porque tudo que eu achei que deveria ter visto na faculdade estou aprendendo agora. Quero fazer uma coisa mais profissional e fortalecer minha marca”, disse.

Hoje, Bonadio atende em média 40 pacientes por mês. Para 2019, está nos planos do empreendedor profissionalizar o negócio, contratar uma secretária, alugar as outras 4 salas disponíveis no andar e ficar mais conhecido.

Para melhorar o marketing pessoal ele investe tempo e dinheiro das redes sociais. Todos os dias posta informações úteis e curiosidades, faz  vídeos, lives e stories no Instagram @caionosono e mantém seu site sempre atualizado – para que novos e antigos pacientes acompanhem seu trabalho. A maioria dos posts apresenta dicas para ter mais qualidade de vida, dormir melhor e entender o próprio corpo.

“Antes eu fazia tudo pelo Google. Quando via que tinha pouco paciente, anunciava. Quando a agenda estava lotada, não anunciada mais. Agora quero um negócio mais regular, consolidar o meu nome pela cidade. Ser referência na minha especialidade”, afirma o empresário.

A solidão do consultório psiquiátrico ainda é uma dificuldade do dia a dia, mas Caio Bonadio nunca se arrependeu da escolha de ter uma vida de dono. “É muito mais fácil ganhar dinheiro com plantão. Com o próprio negócio não dá para ver retorno rápido, precisa de um tempo para virar. A dor de cabeça existe, mas a qualidade de vida é muito maior”, diz.

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