Após infarto, empreendedora aposta em negócio de frutas congeladas e também ajuda no combate à pandemia

Por Isabela Borrelli

A dona da Terra Blend, negócio que vende frutas naturais congeladas, admite que foi um longo caminho até chegar no atual negócio e conta como está superando a pandemia

Desde que a quarentena começou ao redor do mundo, uma das palavras mais ouvidas quando falamos de empreendedorismo é flexibilidade. Saber adaptar o negócio para a necessidade do momento ou então criar do zero um produto que venda em tempos de crise ao invés outros que estão parados. No entanto, enquanto muitas pessoas estão passando pela primeira vez por uma grande reviravolta em suas vidas e não sabem nem por onde começar, Karine Ribeiro, 35 anos, já é calejada no assunto.

A dona da Terra Blend, negócio que vende frutas naturais congeladas assim como polpa de suco detox, admite que foi um longo caminho até chegar no atual negócio. Com perdas, busca de autoconhecimento e muitas tentativas, a sua história é exemplo para os dias de hoje.

Erros e acertos

Karine iniciou sua vida profissional aos 13 anos, em uma banca de jornal. Depois, vendeu TV por assinatura, fez panfletagem, foi auxiliar de consultório odontológico e se formou em enfermagem obstétrica aos 27 anos, já que teve que trancar a faculdade diversas vezes por falta de dinheiro. Na época, ela já estava casada, com uma filha e trabalhava em uma operadora de saúde. Realidade muito diferente dos seus sonhos de graduação de ser enfermeira obstétrica para ajudar indígenas no Xingu.

“O sentimento de não pertencimento me acompanhou por todo esse tempo. Mas eu tinha uma trajetória ascendente, um bom cargo, um bom salário e fui ficando”, conta.

Tudo mudou em 2013, quando sua rotina contava com diversas viagens pelo país e os hormônios de uma segunda gravidez. Quem a ajudava com a primogênita enquanto estava ausente era sua mãe, mas, depois de uma cirurgia, esta faleceu. A falta foi preenchida com mais trabalho e, após o nascimento da segunda filha e uma promoção, Karine infartou aos 29 anos.

Foi a partir daí que as coisas começaram a mudar. Depois de mais alguns meses no trabalho, pediu demissão e decidiu se dedicar a ser mãe e dona de casa. Não funcionou. “Me sentia profundamente triste, sem perspectiva, culpada por não conseguir ser uma mãe melhor e frustrada por ter me esforçado tanto profissionalmente e ter terminado assim”, afirma Karine.

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Busca do equilíbrio

A realidade é que ela estava longe de ter chegado ao fim. Foram várias as tentativas para encontrar algo que fizesse sentido, desde empreendimentos até a volta à enfermagem obstétrica, sem sucesso. Nesse momento, Karine tinha somente três certezas: não queria voltar para o mundo corporativo, sabia que o sonho de juventude não estava dando certo e queria muito empreender, mas não sabia por onde começar.

“Um dia meu marido estava me contando sobre um artigo que falava sobre o potencial do mercado de frutas congeladas e aquilo me acendeu um sinal de alerta”, conta a empreendedora.

Depois de fazer um teste com uma marca provisória e o congelador lotado, começou a vender. Na segunda semana do negócio, precisou comprar um freezer e, na terceira, mais um. Era o sinal que ela precisava para dar luz à Terra Blend.

Terra Blend: negócio de vento em polpa

Em janeiro de 2019, Karine apostou de vez no negócio de frutas e polpas congeladas: investiu em uma identidade visual, criou as redes sociais e site para a empresa e começou a fechar parcerias. Ela defende que o negócio vai muito além de uma boa oportunidade: “Nosso foco é oferecer qualidade, produtos 100% naturais e praticidade para atender um público que, apesar da correria do dia a dia, se preocupa em cuidar da saúde.”

Os diferenciais do negócio estão nas polpas de sucos detox, produzidas artesanalmente sem utilização de água, conservantes, aditivos ou corantes, e na forma de congelamento das frutas. Segundo Karine, o congelamento é feito pelo processo IQF (Individually Quick Frozen), que promete conservar o sabor, odor e nutrientes das frutas.

No entanto, quando o negócio completava pouco mais de um ano, a empreendedora se viu frente a um desafio global: a pandemia do coronavírus.

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Pandemia: negócios e serviço social

Com a chegada da pandemia ao país, Karine não se intimidou. “Sempre me sai melhor durante as crises. São nesses momentos que meu processo criativo fica mais apurado, que procuro novas saídas e que procrastino menos”, revela. De fato, a empreendedora arregaçou as mangas e decidiu agir em diversas frentes.

Uma delas foi cadastrar a Terra Blend no projeto Salve os Pequenos como forma de obter uma maior visibilidade para a marca nesse período. O projeto é iniciativa da Azulis e tem como objetivo conectar pequenos empreendedores que estão realizando a entrega de seus produtos a consumidores que precisam deles durante a quarentena.

A outra, foi mais inesperada… ao invés de focar todos os seus esforços no negócio, ela quis encontrar uma forma de adicionar mais uma tarefa à sua rotina já lotada: “Senti que como profissional da saúde eu precisava me posicionar e auxiliar de alguma forma [no combate à pandemia] sem me afastar das minhas filhas e da Terra Blend.”

Foi quando surgiu a oportunidade de um trabalho remoto de orientação e monitoramento de pacientes com suspeita de COVID-19 ou que estejam no grupo de risco. O serviço faz parte de um projeto do Ministério da Saúde, focado em esclarecer dúvidas da população e dar o suporte e acompanhamento de usuários do SUS.

Com mais esse prato para equilibrar, hoje a rotina de Karine se divide em atender pacientes das 6h ao meio-dia, focar na Terra Blend à tarde e dar aula para as filhas à noite. O equilíbrio que antes tinha encontrado parece ter ido embora, mas ela acredita que é por uma boa razão. “Muitas vezes anoitece e me dou conta que só tomei café da manhã. Mas sei que é um esforço necessário e que logo tudo isso vai passar!”, afirma.

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