Ela criou uma marca de roupas aos 12 anos e com 14 anos já era milionária

Por Maria Teresa Lazarini

A jovem Isabela Matte criou um e-commerce de moda quando era adolescente e, anos depois, foi escolhida pela Forbes Brasil como uma das empreendedoras jovens mais influentes de 2019

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Quando a brasiliense Isabela Matte completou 11 anos, ela se viu com um dilema: devo continuar usando roupas de criança ou já aposto em looks adultos? Resistente a usar vestidos infantis, mas ainda longe de vestir “looks” sérios de pessoas adultas, ela encontrou a solução: criaria as próprias roupas para ir de acordo com a sua idade. As peças pensadas por Isabela, e produzidas por costureiras, caíram no gosto das amigas e despertaram o lado empreendedor da jovem. Aos 12 anos ela montou um plano que, mais tarde, seria responsável pelo faturamento de milhões. Criar um e-commerce de roupas básicas para meninas da sua idade.

“Com 11, 12 anos, eu não encontrava roupas que fossem estilosas, mas que também tivessem um preço bacana, fossem versáteis e que coubessem em mim. É aquela época que você tá com aquele corpo que você não é nem adulto, nem criança. Então foi aí que decidi fazer minhas roupas. Minhas amigas gostaram e eu comecei a vender”, conta Isabela em entrevista à Azulis.

Com ajuda da família, ela estudou o mercado até conseguir montar um plano de negócios sólido. Após dois anos, a loja foi lançada e a marca viralizou. Em questão de dois dias, mais de mil peças de uma de suas primeiras coleções foram vendidas. Hoje com 21 anos, a empreendedora que tem quase 400 mil seguidores no Instagram é considerada como uma das empreendedoras jovens mais influentes do Brasil, segundo o ranking Forbes 30 Under 30.

Com a missão de criar roupas versáteis e duradouras, a loja se diferencia pela produção sustentável. Desde a compra de fornecedores qualificados à confecção das peças, a empreendedora Isabela faz questão de garantir uma produção humanizada e de qualidade. E, diferentemente de muitas lojas por aí, a empresa também valoriza a diversidade, o que pode ser visto no catálogo de roupas do site e no Instagram da loja.  

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Hoje a marca conta com mais de 10 modelos para a produção de fotos / Fonte: Isabela Matte

Negócio de gente grande

Com a ideia de montar uma loja de roupa para adolescentes, o próximo passo da Isabela de 12 anos seria convencer a mãe de que aquilo não era brincadeira de criança. Relutante, a mãe disse: “eu posso te ajudar, mas tem que ser sério. Trabalho é um negócio que não dá para você desistir no meio por qualquer motivo”, Isabela comenta em seu canal do Youtube.

Quando a jovem prometeu à mãe que a loja seria um trabalho de gente grande, as duas se juntaram para estudar o assunto. Com investimento dos pais, a loja sairia do papel.

“Durante dois anos, a gente teve que estudar sobre como fazer uma loja do zero, como se mantinha um e-commerce, como funcionava a produção… Fomos aprendendo”, diz a empreendedora.

Desde o lançamento oficial da loja Isabela Matte, em 2012, o site passou por diversas mudanças. Enquanto o número de clientes aumentava ao longo dos anos, a qualidade do site crescia junto. As fotos de manequins, por exemplo, foram substituídas por cliques da própria Isabela e, depois, por modelos contratadas.

Costurando o futuro

A empresa que começou só com mãe e filha conseguiu faturar mais de R$1 milhão no primeiro ano de loja e hoje já tem mais de 40 funcionários. Mas o crescimento da marca não tirou o toque familiar do negócio. Além de o pai, Alexandre, continuar ajudando com a parte financeira da loja, a empreendedora Isabela passou a contratar amigos para fazer parte do time. O assessor de marketing da marca, por exemplo, é seu melhor amigo. 

“Querendo ou não, quando você trabalha, você fica 8 horas do seu dia e um terço da sua vida convivendo com as pessoas que estão no seu trabalho, então você tem que ter uma relação boa com elas”, diz. “Mas, ao mesmo tempo, eu tenho que saber separar o que é profissional e o que é da amizade”.

Sete anos após o lançamento da empresa, a proposta da loja Isabela Matte, que mira os Estados Unidos e a Europa como expansão, continua a mesma: criar roupas versáteis e sustentáveis para adolescentes e jovens usarem em festas, no trabalho, na faculdade ou onde elas quiserem. 

“A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo e eu acho que a gente tem que fazer a nossa parte para mudar esse cenário”, diz a empreendedora.

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A força do e-commerce

A dúvida “loja física ou loja online?” assola muitos empreendedores. Afinal, cada um desses formatos tem suas vantagens e desvantagens. Mas o e-commerce está ganhando cada vez mais força: uma pesquisa divulgada pela Ebit/Nilsen mostrou que a modalidade de negócio cresceu 12% no primeiro semestre de 2019. Em 2018, o setor faturou R$53,2 bilhões no Brasil.

Apesar dos números expressivos, não foi sempre assim. Em 2010, o faturamento do e-commerce era bem menor. No ano em que a jovem Isabela flertou com a ideia de uma loja eletrônica, o setor faturava quase 4 vezes menos que agora. Mesmo assim, ela já enxergava à frente.  

“A gente optou pelo e-commerce porque era o mais barato. Você não precisava de toda uma logística, de uma pessoa física numa loja, ter que pagar um ponto… A gente pagava R$40 por mês [para manter o site] e podia vender pro Brasil inteiro”, conta Isabela. “O e-commerce possibilitou um crescimento muito mais rápido para a loja”.

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