Ele achou um jeito de empreender ao unir o mercado financeiro com a transformação social

Por Marcio Kroehn

Tiago Fernandes é um financista que sonha em mudar a vida das pessoas mais carentes. Para isso, criou o VRB, um fundo de investimentos que direciona a taxa de administração para projetos sociais na segurança pública, no esporte e na educação

investimento impacto social

O jornalista americano Frank Tyger disse certa vez que “fazer o que você gosta é liberdade. Gostar do que você faz é felicidade”. A frase parece ter sido criada para Tiago Fernandes, cofundador e CEO do VRB, um fundo de investimentos multigestão que nasceu com um modelo único de negócio: reverter a taxa de administração para projetos sociais.

“Tenho muita sorte de poder trabalhar com um negócio que faz parte de dois universos: o impacto social com a oportunidade de investimentos”, diz Fernandes.

O conceito proposto pelo VRB é novo no mercado financeiro brasileiro e tem sido chamado de filantropia 2.0 – busca uma mudança na sociedade sem afetar a rentabilidade do produto financeiro. Como acontece em toda a indústria de fundos, os investidores recebem os recursos líquidos (lucro) do VRB Multimercado. A gestão é remunerada com uma taxa de administração de 1% ao ano. Até aí, tudo igual. A diferença é que os gestores doam a taxa recebida pelos seus serviços para os projetos sociais.

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A ideia para atrair as melhores cabeças

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Tiago Fernandes, CEO do VRB

Como qualquer empreendedor, Fernandes sonhava com o sucesso da sua ideia de criar valor para o investidor ao mesmo tempo em que muda a vida das pessoas mais carentes. Para isso, era preciso ser estratégico. O VRB Multimercado foi pensado para ser multigestor, algo raro no mercado brasileiro. Mas como atrair as melhores cabeças da gestão de fundos de investimento?

É nesse ponto que a liderança de Fernandes foi decisiva. Durante 12 meses, ele fez inúmeras vezes a ponte-aérea Rio-São Paulo para convencer diferentes escritórios sobre a relevância e a importância do VRB. No dia a dia, os gestores continuariam sendo concorrentes e buscariam ter a melhor performance, com uma estratégia única para atrair mais investidores. O que Fernandes fez foi mostrar que no VRB eles poderiam trabalhar juntos em um comitê para encontrar a melhor maneira de oferecer um produto financeiro único, de transformação social.

“Formou-se um grupo estrelar em função de um aspecto social”, diz o CEO do VRB. “A inteligência de alocação de recursos vem dos principais family offices do Brasil. Eles têm interesse em fazer diferente e por isso abriram mão do retorno financeiro para participar do comitê de gestão.”

O trabalho de Fernandes convenceu XP Advisory, UBS Consenso, Turim, Tera Capital e BW, os principais gestores de grandes fortunas do País, a dedicar tempo ao projeto e abrir mão da remuneração – apenas os custos são pagos pelo VRB. Assim nasceu o produto, um fundo de fundos, ou seja, que adquire cotas de outros fundos de investimento. E como o objetivo é nobre, fundos fechados para captação, como Verde, SPX, Gávea ou Ibiúna, que são cobiçados por todo investidor, abriram suas portas para receber parte da alocação de recursos.

“O VRB Multimercado é a melhor expressão de cada uma das casas que faz parte desse projeto, do ponto de vista de gestores, do investimento em si e da gestão do fundo”, diz Guilherme Ferraioli, CIO do UBS Consenso, em vídeo divulgado pelo projeto. “Cada um tem sua especialidade e seu nicho e a gente procura fazer a melhor carteira, combinando os melhores gestores”, afirma Luciano Telo, CIO da XP Advisory.

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Projetos sociais com apoio de George Soros

A capacidade de comunicação de Fernandes é um diferencial. Ele fez concorrentes formarem um só grupo para se encontrar a cada dois meses e analisar o cenário macroeconômico, a performance dos ativos e ver quais gestores estão bem posicionados para fazer a alocação do dinheiro do VRB Multimercado. Além disso, conta com o apoio de George Soros, um dos mais importantes investidores e filantropos globais, que investiu US$ 25 milhões no Oceana Sustentabilidade, um dos fundos que faz parte da carteira do VRB.

“O VRB se esforça para alcançar impacto significativo em situações extremas, onde comunidades sofrem com pobreza, violência e instituições vulneráveis”, disse Soros, em frase destacada na apresentação dos resultados do VBR.

Em 2019, a projeção é que entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões sejam direcionados para projetos sociais. Essa decisão é tomada por um comitê formado por especialistas como a psicóloga Anna Victoria Lemann (Fundação Estudar), o antropólogo Rubem César Fernandes (Viva Rio), o cientista político Simon Schwartzman (Academia Brasileira de Ciências), o economista Edman Bacha (Casa das Garças) entre outros.

VRB pérolas negras

No Rio de Janeiro, o grande tema apoiado pelo VRB é a segurança pública. Para entender quais são os pontos mais sensíveis, o VRB escolheu um especialista respeitado pela comunidade carioca: o Coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante geral da Polícia Militar do Estado, que é o porta-voz do projeto “Compromisso com o Rio do VRB”. No estado fluminense também está o Pérolas Negras, uma academia de futebol para refugiados (foto ao lado). O time subiu para a série B2 do campeonato carioca e conta com profissionais do Haiti, Venezuela e da Jordânia, numa parceria com o príncipe Al Hussein bin Abdullah II.

Já em São Paulo, o tema escolhido foi a educação financeira: professores de escolas públicas são capacitados para ensinar alunos do ensino médio a lidar com o dinheiro. O próximo passo do VRB é desenvolver um projeto de educação no Nordeste.

Embora seja um produto para investidores qualificados (patrimônio superior a R$ 1 milhão), o VRB Multimercado está disponível na plataforma da XP para investimento mínimo de R$ 10 mil. E o fundo é bastante competitivo. A rentabilidade acumulada no ano, até agosto de 2019, era de 8,4% (equivalente a 230% do Certificado de Depósito Interbancário – CDI). O retorno médio de fundos da mesma categoria no período era de 7%. Desde o lançamento, em julho de 2016, o retorno do VRB é de 43,4% (143% do CDI). Eram 514 cotistas e o patrimônio líquido estava em R$ 196,1 milhões.

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