Para frear crise, casal de empreendedores encontra nova maneira de continuar vendas

Por Maria Teresa Lazarini

Os donos da Las Padin, que vende empanadas e tortilhas, parou de receber pedidos de cafés e restaurantes quando a quarentena começou. Mas eles encontraram uma saída para manter as vendas

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O avanço do novo coronavírus está colocando muitos negócios à prova. Por conta do isolamento social recomendado pela OMS, muitas lojas e restaurantes tiveram que fechar as portas, o que impactou não só os próprios negócios, mas diversos fornecedores também.

Esse foi o caso da Las Padin. Fornecedores de empanadas e tortillas desde 2017, os donos Gisele Padin e Marcello Santos pararam de receber encomendas de cafés e restaurantes quando o comércio teve que fechar na cidade de São Paulo. Com um modelo de negócio focado majoritariamente em venda para outras empresas, os empreendedores precisariam se adaptar.

Mas como encontrar novos clientes diretos, quando a maior base de consumidores eram outras empresas?

Se reinventar em tempos de crise

Para continuar com o caixa da Las Padin operando, os donos do negócio Gisele e Marcello, casados, se viram frente a um desafio: encontrar uma nova base de consumidores finais. Apesar de eles já contarem com alguns clientes antes da pandemia, o número não era significativo para sustentar a empresa durante a incerteza da quarentena.

Antes da pandemia, a gente já tinha consumidor direto que comprava as empanadas congeladas, mas não era muita coisa”, conta Gisele à Azulis. “A gente ficou muito preocupado com a pandemia, porque vários cafés fecharam portas. Só que aí a gente se reinventa né? A gente buscou informações na internet e encontrou o Salve os Pequenos. Depois que a gente cadastrou a Las Padin lá começamos a ter muitos clientes novos”.

Criado para ajudar pequenos negócios a encontrarem consumidores durante a pandemia, o Salve os Pequenos permite que empreendedores façam uma divulgação gratuita do negócio. A partir do cadastro das empresas, consumidores podem acessar o site e procurar por serviços ou produtos de pequenos negócios que estejam na mesma cidade. Como aconteceu com a Las Padin, a iniciativa faz com que os empreendedores encontrem mais clientes durante a pandemia para mitigar os efeitos da crise.

“A gente tá tendo muitos clientes novos por causa do Salve os Pequenos. Teve cliente que, desde o começo da quarentena, me pede produtos todo final de semana”, comenta Gisele.

Além da iniciativa, a empreendedora diz que o Instagram é outra maneira que eles se utilizam para divulgar as empanadas e as tortillas durante a pandemia. Com uma presença constante na rede social, a Las Padin divulga tanto informações de entrega diária, como o cardápio da semana. Para conferir a página, basta acessar: https://www.instagram.com/laspadin/.

Captando novos clientes por diferentes meios de divulgação, a empreendedora conta que, em um mês de quarentena, o faturamento da Las Padin felizmente não caiu. Mesmo que as feiras e eventos que participavam tenham parado, e que os estabelecimentos parceiros tenham fechado, a estratégia de vender para o consumidor final garantiu a entrada de caixa na empresa.

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Sócios, funcionários e casal

Enquanto muitas pessoas fogem das panelas no fim de semana, até 2017 Gisele usava a cozinha como válvula de escape para desestressar da semana corrida. Contadora em uma empresa de telecomunicação, ela não via a hora de o fim de semana chegar para cozinhar sua especialidade: empanadas e tortilhas que sua avó, nascida na Espanha, lhe havia ensinado.

Apesar de Gisele cozinhar como hobby, seus amigos acreditavam que ela não podia desperdiçar esse talento. “Um dia eu fiz umas empanadas para uns amigos aqui em casa. Aí uma amiga postou uma foto das empanadas e falou “olha gente, a partir da semana que vem a Gisele vai começar a vender empanadas, porque isso aqui não existe no Brasil, isso aqui é dos deuses”, conta a empreendedora, rindo.

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Marcello e Gisele: sócios e casal

Com o empurrãozinho dos amigos e familiares, ela e o marido, engenheiro, decidiram arriscar: deixando a estabilidade do emprego para trás, o casal criou a Las Padin. Com receitas tipicamente da Galícia, as empanadas e tortilhas surpreendiam os consumidores pelo gosto autêntico e único. A venda para amigos foi se expandindo para eventos e feiras até chegar em padarias, cafés e restaurante.

Com o negócio funcionado a todo vapor há mais de três anos, Gisele não se arrepende de trocar a carteira assinada pela rotina de empreendedora. Com uma cozinha alugada e sem funcionários, o casal é responsável por todo o processo de produção das empanadas e das tortillas, deixando somente a parte de entrega para um motoboy de confiança.

A gente decidiu abrir a Las Padin juntos. Somos um casal, amigos, sócios e funcionários – os dois um do outro”, fala Gisele.

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